Depois de 90 dias de vazio sanitário – de 15 de junho a 15 de setembro de 2025 -, Mato Grosso do Sul volta a plantar soja com um saldo considerado positivo pelo diretor-presidente da Iagro, Daniel de Barbosa Ingold, ressaltando que o sucesso do Vazio Sanitário da Soja em uma safra, repercute positivamente na próxima.
Quando o vazio é cumprido corretamente, durante todo o período – não apenas no início dos 90 dias – a primeira detecção de ferrugem tende a ocorrer mais tarde e a intensidade de esporos no município é menor. Resultado: programas de aplicação de agrotóxicos mais racionais, com menos intervenções precoces, rotação/mistura de mecanismos de ação e melhor preservação das moléculas e alinhados ao PNCFS (Programa Nacional de Controle da Ferrugem da Soja) do Ministérios da Agricultura. Em termos simples: menos custo, mais produtividade. “É como se o vazio “limpasse a casa” para o estado receber os novos cultivos”, esclarece o diretor-presidente da Iagro.

Segundo a equipe técnica de Fiscais Estaduais Agropecuários – Engenheiros Agrônomos, a conformidade entre os sojicultores do estado foi majoritariamente positiva. Essa disciplina fitossanitária se mostra especialmente crítica nos maiores polos de produção do estado – Maracaju (324.662,19 ha), Ponta Porã (270.449,58 ha), Sidrolândia (235.161,32 ha) e Dourados (184.258,11 ha) – que, juntos, somam mais de um milhão de hectares cultivados e cuja performance reverbera em toda a produtividade estadual.
“Onde há resistência ou descuido, a Iagro/MS atua priorizando o ganho coletivo, pois quando uma propriedade falha, eleva o risco para o seu entorno, ameaçando a produção dos demais produtores da região (que seguiram as normas), haja vista a dispersão dos esporos do fungo da Ferrugem se dar predominante pelo vento”, destaca Márcio Regys Rabelo de Oliveira, de Inspeção e Defesa Sanitária Vegetal da Iagro.
A Fiscalização
Dada a amplitude territorial do MS (79 municípios), a logística exigiu precisão. O trabalho dos FEA – Eng. Agrônomos foi pautado em uma metodologia robusta que combina Inteligência Territorial e Análise de Risco, valorizando o conhecimento técnico de campo.
De acordo com a Gerência de Inspeção e Defesa Sanitária Vegetal da Iagro, a operação combinou planejamento estratégico elencando-se dez (10) riscos (como histórico de autuações, adensamento de cultivos, cadastros novos, entre outros) que hierarquizaram as propriedades e estabeleceram as rotas prioritárias para as vistorias e revisitas programadas, além de atendimento a denúncias.
Painéis de B.I. (Business Intelligence) aliados a ferramentas de Geoprocessamento e Sensoriamento remoto com a combinação de drones e satélites, permitiram acompanhar nos dispositivos móveis, os mapeamentos das zonas de risco e os pontos de execução semanal das ações. A neutralização das áreas identificadas com soja voluntária foram realizadas em três passos: i) orientação técnica; ii) notificação com prazo; e iii) autuação. Tudo registrado com georreferenciamento e fotos para dar rastreabilidade aos
procedimentos.
Safra 2025/2026
No último dia 3 de outubro, a Iagro participou, na Fazenda Recanto, em Sidrolândia, da abertura nacional da safra de soja 2025/2026, com previsão de expansão de 5,9% na área plantada em Mato Grosso do Sul. O evento reuniu cerca de 1.200 pessoas ,entre produtores, autoridades, representantes de entidades, pesquisadores e estudantes.
Com o plantio autorizado de 16 de setembro a 31 de dezembro de 2025, a mensagem técnica do diretor-executivo da Iagro, Cristiano Moreira de Oliveira, para este novo ciclo é clara: “o sucesso depende da continuidade da disciplina no calendário de plantio, e prazos para cadastro, eliminação contínua de plantas voluntárias e um manejo fitossanitário rigoroso, conforme as instruções de seu Responsável Técnico”.
Outro ponto que precisa ser destacado é que os profissionais da Iagro não devem ser vistos como agentes de burocracia punitiva, mas sim como um pilar de segurança agronômica para manter suas produtividades em patamares elevados, reforçam os diretores da agência.

Vazio Sanitário da Soja
Durante a janela de vazio, não deve haver nenhuma planta viva de soja dentro do estado, inclusive em áreas não cultivadas como estradas vicinais, áreas de armazenamento e faixas de domínio de rodovias. Essa interrupção da “ponte verde” objetiva eliminar os hospedeiros do fungo e assim, diminuir a pressão do patógenos sobre as lavouras, não só no local de detecção, como em todas nas áreas vizinhas.
O objetivo central do Vazio é claro: a redução do inóculo da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), erradicando rápido e evitando que uma ocorrência isolada se torne um foco da praga para toda a região. A Ferrugem Asiática é a doença mais severa da cultura de soja no país e, sem controle adequado, as perdas de produtividade podem atingir até 90%.

Com informações da Gerência de Inspeção e Defesa Sanitária Vegetal da Iagro

