Manter o status livre de febre aftosa exige vigilância constante – e os fiscais estaduais estão na linha de frente

A febre aftosa permanece como uma das maiores ameaças à pecuária mundial, uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido, como bovinos, suínos, ovinos e caprinos, e que pode causar impactos devastadores na economia, no comércio internacional e na segurança alimentar. Mesmo com os avanços obtidos em diversas regiões, a enfermidade continua a exigir vigilância rigorosa e constante.

Em janeiro de 2025, a Alemanha confirmou o primeiro foco de febre aftosa em quase quarenta anos, em uma propriedade de búfalos de água no estado de Brandenburg. O episódio levou ao abate imediato dos animais, à criação de zonas de proteção e vigilância e à suspensão temporária das exportações de carne e produtos lácteos. Embora o foco tenha sido rapidamente controlado e o status sanitário restabelecido poucos meses depois, o caso alemão serviu como alerta global de que mesmo países com forte estrutura de defesa sanitária estão sujeitos a reintroduções inesperadas.

A World Organisation for Animal Health (WOAH) reforçou, em relatórios recentes, que surtos esporádicos continuam sendo notificados em partes da Ásia, da África e do Oriente Médio, indicando a necessidade de manter sistemas de vigilância robustos em todo o mundo. Nas Américas, o Brasil e a Bolívia foram reconhecidos em 2025 como áreas livres de febre aftosa sem vacinação, um marco histórico que comprova décadas de trabalho técnico, investimento em biossegurança e colaboração entre o setor público e privado.

Entretanto, alcançar esse status é apenas o começo — o verdadeiro desafio é mantê-lo. E é aqui que entra a figura essencial dos fiscais estaduais agropecuários, profissionais que representam a linha de frente na defesa da sanidade animal brasileira. São eles que, diariamente, percorrem propriedades, fiscalizam o trânsito de animais, inspecionam feiras, frigoríficos e barreiras sanitárias, coletam amostras e orientam produtores sobre medidas de prevenção. É também por meio de sua atuação que sinais clínicos suspeitos são rapidamente identificados e comunicados ao serviço oficial, garantindo respostas imediatas e coordenadas.

Esses fiscais são o elo vital entre o campo e os laboratórios, entre o produtor e o Estado. Quando uma suspeita surge, é sua ação técnica que determina o sucesso da contenção. A febre aftosa se espalha com rapidez — um simples atraso pode transformar um caso isolado em um desastre econômico. Por isso, o trabalho de vigilância e resposta desses servidores é decisivo para proteger o rebanho e preservar o prestígio do Brasil no comércio internacional de carnes.

Cientes dessa responsabilidade, os fiscais estaduais agropecuários têm se mantido em constante capacitação. Em agosto de 2025, equipes de defesa sanitária animal de todo o país participaram do Simulado Nacional de Emergência Zoossanitária realizado em Montes Claros, Minas Gerais, que teve como tema central o enfrentamento de um cenário hipotético de febre aftosa. O exercício reuniu fiscais, médicos-veterinários, técnicos e representantes do setor produtivo em uma ação integrada que simulou, na prática, todas as etapas de um foco real — desde a detecção clínica até as medidas de abate sanitário, limpeza, desinfecção e restabelecimento do status livre.

A participação dos fiscais estaduais no simulado reforçou o compromisso do serviço oficial brasileiro com a prontidão e a articulação interinstitucional. O treinamento permitiu nivelar procedimentos, testar protocolos e fortalecer a capacidade de resposta rápida — elementos essenciais para evitar que um foco isolado se transforme em crise nacional.

Os impactos econômicos de um surto de febre aftosa são bem conhecidos: suspensão imediata das exportações, retração nos preços da carne, prejuízos aos produtores e custos elevados com indenizações, limpeza e desinfecção. No caso alemão, as restrições comerciais temporárias afetaram toda a cadeia de carne e laticínios, evidenciando como um único foco pode paralisar setores inteiros.

Por isso, no Brasil, onde a pecuária representa uma das principais forças econômicas, a vigilância não é apenas uma rotina técnica — é uma política estratégica de Estado. Manter o país livre da febre aftosa é preservar empregos, renda e segurança alimentar. E esse trabalho só é possível graças à dedicação silenciosa e contínua dos fiscais estaduais agropecuários, que atuam em todas as regiões, garantindo que cada barreira, cada notificação e cada ação de campo façam parte de uma rede eficiente de proteção.

O status “livre de febre aftosa sem vacinação” é um selo que o Brasil conquistou com décadas de esforço, mas é também uma conquista que depende, todos os dias, da vigilância ativa e da competência dos fiscais estaduais. São eles os guardiões dessa conquista — profissionais que, com conhecimento técnico, compromisso público e presença constante no campo, mantêm de pé uma das defesas sanitárias mais respeitadas do mundo.

Por: Sifems